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Nem todos os métodos anunciados para tratar dores na coluna têm eficácia comprovada por estudos

As dores na coluna, que constituem uma queixa bastante frequente na população mundial, foram tema de reportagem recente do Correio Brasiliense, que citou dois métodos de tratamento indicados nessas situações: a epiduroscopia e a cama de alongamento mecânica.

Voltada ao combate da dor lombar crônica, a epiduroscopia foi criada pelo neurocirurgião Marcos Masini e é por ele descrita como um procedimento capaz de, em uma única oportunidade, investigar, diagnosticar e tratar a queixa.

Comentando o método, o reumatologista e coordenador da Comissão de Coluna Vertebral da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), Marcos Renato de Assis, explica que se trata de um procedimento desenvolvido na década de 90 para visualização direta da parte inferior do canal vertebral por meio de um aparelho de escopia. “Esse aparelho tem um cateter flexível que é introduzido pela pele num orifício do osso sacro, que fica na base da coluna, e progride no interior do canal vertebral, possibilitando a transmissão de imagens da região lombar por uma câmera na ponta do cateter”, esclarece.

Assis entende que a epiduroscopia é mais um meio diagnóstico, assim como a tomografia computadorizada ou a ressonância magnética. “O procedimento permite visualizar hérnias de disco que estejam comprimindo raízes nervosas ou aderências que possam ser consequência, por exemplo, de um tratamento cirúrgico”, diz.

Apesar de ser aparentemente menos invasiva que uma cirurgia para a mesma finalidade, poupando lesão de estruturas como o osso, a técnica também apresenta seus riscos, pondera o médico, como é o caso de lesões neurológicas.

Quanto à comprovação de eficácia, o coordenador da Comissão de Coluna Vertebral da SBR diz que não há trabalhos científicos que mostrem resultados superiores ou mesmo equivalentes aos de uma cirurgia aberta convencional em longo prazo. “Em curto prazo, pode até causar uma leve piora da dor antes de promover o alívio esperado”, ressalta ele, acrescentando que o tratamento de escolha para a hérnia discal é clínico, “exceto em uma parcela muito pequena dos casos com complicações graves ou evolução progressiva, mesmo com tratamento adequado, os quais demandam intervenção cirúrgica.”

CAMA DE ALONGAMENTO

A reportagem do Correio Brasiliense também cita como opção terapêutica contra dores na coluna uma cama de alongamento mecânica, desenvolvida por um osteopata que a indica para quem precisa aumentar o espaço entre os discos da coluna vertebral.

Nesse caso, Assis esclarece que a redução do espaço discal ocorre lentamente ao longo da vida adulta, principalmente nos mais idosos, devido à desidratação do disco e a seu processo degenerativo. “É uma ocorrência gradual, que leva anos, e não parece ser possível manter um espaço aumentado aplicando, por curtos períodos, aparelhos de alongamento ou tração”, assinala. Segundo ele, os estudos não mostraram que tenha havido melhora do quadro clínico com esse tipo de terapia.

O reumatologista adiciona que o conceito envolvido na cama, de compressão do disco por cargas aplicadas no sentido do eixo da coluna, é bastante antigo, “assim como a proposta de redução dessa pressão por meio da aplicação de forças de tração sobre a coluna.” Entretanto, ressalta, a hérnia discal não se resume ao excesso de força de compressão sobre o disco, mas envolve o tamanho do canal vertebral e dos espaços intervertebrais, as condições estruturais do disco, a qualidade das fibras de colágeno, a inflamação causada pela ruptura de fibras e a lesão de tecido nervoso.

HIDROGINÁSTICA

O texto do jornal de Brasília passa ainda pela menção à hidroginástica como um método indicado para tratar dores na coluna, citando especificamente um tipo de exercício denominado deep water running (DWR). Assis explica que se trata de uma corrida dentro da piscina, em que o paciente usa um cinto flutuador que mantém o nível da água à altura dos ombros.

O DWR foi desenvolvido em 1970 por Doug Stern para treinar atletas com lesão no membro inferior, para os quais os exercícios convencionais em solo não eram possíveis devido à dor no momento do impacto. “Como a pessoa não toca o fundo da piscina, não há impacto e o treinamento permite manter o condicionamento físico”, sublinha o médico, acrescentando que seu uso terapêutico foi testado em pacientes com fibromialgia. Trata-se, enfim, de um tipo de exercício muito seguro, no entender de Assis, e que agrega condicionamento aeróbico e fortalecimento muscular, além de poder ser realizado por pessoas que não sabem nadar.

PREVENÇÃO

Antes que a dor se instale, porém, o reumatologista acha conveniente lembrar que existem meios de proteger a coluna contra posturas e movimentos inadequados, reduzindo o surgimento de vários problemas, bem como o tempo e a intensidade de sintomas em quem tem dor, além de prevenir novos episódios. “Hábitos saudáveis devem ser cultivados, como fazer exercício físico regular, manter uma alimentação equilibrada e evitar o cigarro”, enumera Assis.

Além disso, o coordenador da Comissão de Coluna Vertebral da SBR destaca que é preciso conhecer a maneira correta de levantar-se, sempre de lado, e tomar outros cuidados, como agachar os joelhos para apanhar objetos no chão, carregar cargas sempre próximas ao tronco e evitar posições estáticas, em pé ou sentado, por tempo prolongado.

Fonte: Sociedade Brasileira de Reumatologia

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